domingo, fevereiro 25, 2007

a internet

Não sei o que pensarão as gerações mais novas, mas para muitos a minha idade um cd novo é um emoção.

Seja aquele compositor que apenas conhecemos de nome ou o hit deste, ou de verões passados, o momento de abrir a caixa tem algo de mágico. Primeiro libertamos a caixa do plástico imaculador que a protege, qual imunotease, temos certeza que o que se nos desvenda nunca antes foi visto por alguém e ao mesmo tempo igual ao que tantos outros viram. Podemos deliciar-nos com a capa, voltar a caixa e confirmar as musicas que queremos ouvir, algumas, mais sofisticadas, levam-nos por um labirinto de capas e contracapas ou bolsinhas escondidas, outras, desvendam-nos o seu precioso conteúdo com um só movimento.

Este ritual, no sentido que está entre a escolha e a audição do produto (vou dispensar os complexos mecanismos de aquisição de propriedade), com o surgimento da internet, tem vindo a ser substituído pelo download. Durante este período, as leituras e "art work" ficam para segundo plano, o que nos pode prender, se para tal estivermos inclinados, a atenção é o numero que kbits que nos separam de tão querida musica.

Por outro lado a Internet mostra-se hoje como uma biblioteca inesgotável, onde todos os desejos podem ser satisfeitos. Nunca antes esteve a musica tão acessível e todos aqueles cds que não encontrávamos na nossa discoteca preferida passaram a estar à nossa disposição. Por um lado temos a imediates do download, que só recentemente passou a garantir uma qualidade dos cds, por outro, temos a possibilidade de encomendar o "original", a "hard copy" em primeira ou segunda mão, perpetuando o ritual a que nos acostumamos.

Um aspecto menos vantajoso das encomendas através da Internet é envolverem o correio tradicional. Estas encomendas para chegar aos nossos lares, têm muitas vezes que percorrem o mundo inteiro e por rápidos que sejam os aviões, por mais eficientes que sejam os processos das empresas que disponibilizam produtos leva tempo até chegar a nós. Admito que nunca fui grande fã de compras por catálogo, talvez por esse motivo veja uma desvantagem neste processo.

Muitas vezes esqueço-me do que compro, encontro o que quero, encomendo, mas nos dias que passam acabo por não ter presente a encomenda que ai vem. isto acaba por se tornar interessante, quando ao final de uns dias abrimos a caixa do correio e temos uma surpresa à nossa espera. Qual será? Podemos descobrir de onde vêm, ler uma ou outra mensagem que por vezes acompanham o pacote. Num mundo em que a correspondência passou a ser essencialmente electrónica será que única coisa que vamos receber nas nossas caixas de correio são encomendas?

Gostava de pensar que não, gostava de chegar a casa e ter correspondência para ler. Mas se fico triste e com saudades dos amigos, posso sempre ligar o messenger, enviar um mail e fingir que estamos todos aqui ao lado.